
Remontando a ontologia política do colonialismo
Período
2024 — 2027
Instituição
Programa de Pós-Graduação em Filosofia, PUCRS
Institute for Women’s and Gender Studies, UGA
Área de concentração
Ética e Filosofia Política
Linha de pesquisa
Estado e Teorias da Justiça
Financiamento
PIPD/CAPES
MInistério da Educação
Este projeto explora a ontologia política do imperalismo proposta por Ariella Aïsha Azoulay a partir de uma revisão crítica da teoria moderna da fotografia, para refletir sobre a continuidade do colonialismo no contexto americano, notadamente as percebidas nas disputas em torno da representação e do trabalho da reparação.
Em um segundo movimento, a investigação pretende colocar em diálogo essa teoria com argumentos de diferentes filósofas feministas latinoamericanas e estadunidenses.
O objetivo do trabalho é compreender quais aspectos de uma possível “sensibilidade moderna” podem ter ensejado o horizonte ontológico do projeto político colonial/imperialista; além de contribuir para a divulgação e a leitura crítica do pensamento das filósofas em questão.

TESTEMUNHOS DA TERRA
em parceria com Camila Proto
instalação multimídia e filme-ensaio
2024
A água leva e a água traz. Este projeto nasce de um fenômeno fabulativo: e se, entre os desastres das enchentes de 2024, o Guaíba inesperadamente fizesse aparecer indícios soterrados da sua história?
Cerâmicas são artefatos comumente encontrados em sítios arqueológicos através do trabalho das escavações. Elas são materiais tradicionais dos modos de ser e viver dos povos ameríndios e personagens essenciais para o processo de demarcação de Terras Indígenas. Uma série de processos de datação baseados em alterações químicas ou acúmulo de radiação nas peças permitem a um fragmento de argila queimada contar histórias.
Aqui propomos imaginar aquilo que as áreas inundadas de Porto Alegre poderiam falar. Por consequência da saturação do solo, que ocorre quando um terreno está encharcado por muito tempo, vestígios materiais – tais como peças Mbyá-Guarani – poderiam vir à tona, tornando novamente visível um passado que resistia sob nossos pés. O encontro desses indícios ajudaria a comprovar a presença indígena na região e, assim, áreas inundadas poderiam, de certa forma, falar a favor dos povos em retomada, testemunhando a sua ocupação milenar.
A instalação propõe um diálogo entre o fantasioso e o factual, tensionando as fronteiras entre arte e ciência, campos que acabam delineando aquilo que tomamos como verdade ou mentira, pensável ou impensável. Este universo não é apenasuma homenagem, mas um trabalho de reparação: uma tentativa de recuperar o protagonismo dos modos de ser e viver Guarani e de resguardar suas práticas de cuidado com os seres-terra que conformam o território onde todos vivemos.
Herança viva que pulsa nas margens da cidade, o modo de vida Guarani é um dos vários soterrados pela verdadeira terraformação empreendida pela modernidade – materializada em Porto Alegre através dos contínuos processos de aterramento, expansão urbana e especulação imobiliária. Narrando a possibilidade dessas descobertas, convidados o público a especular as consequências cosmpolíticas da possível “emergência” desses fragmentos e o que eles nos ajudariam a ver e a ouvir com mais nitidez.









Exposições
Testemunhos da Terra (exposição individual), Fotogaleria Virgílio Calegari, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, nov 2024 — fev 2025
Deságua (exposição coletiva), Galeria Augusto Meyer, Casa de Cultura Mario Quintana, nov 2024 — mar 2025
Porto Alegre hipotética (exposição coletiva), Goethe-Institut Porto Alegre, out — nov 2024
Campus Antropoceno América Latina (exposição coletiva), ESDI – Escola Superior de Desenho Industrial/UERJ, dez 2024





TOPOGRAFIA DOS ENCONTROS
Curadoria para a exposição individual de zarro
Remanso Instituto Cultural
Agosto — Setembro 2025
Entre os gestos vivazes de uma artista vibrante como zarro, há um gesto de cuidado. Seus trabalhos cuidam das imagens que insistem, dos fragmentos que sobrevivem, do passado que não passou bem.
Em sua primeira exposição individual, apresenta um conjunto de obras desenvolvidas ao longo do último ano, em parte durante sua residência no Programa de Concessão de Ateliê da Remanso – Instituto Cultural e, posteriormente, em continuidade nos espaços da APPH – Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades. Recentemente agraciada com o Prêmio de Aquisição do 24º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre, zarro tem cultivado sua poética através da articulação de diferentes linguagens – pintura, colagem e coleta –, propondo formas de percepção e reelaboração de memórias históricas, traumas políticos e práticas de convivência.
Em Topografia dos encontros, os trabalhos elaboram composições do comum. A mostra se organiza em três núcleos, cada um tocando aquilo que, embora pareça distante, ainda pulsa: imagens que voltam, espaços que abrem, corpos que reaparecem.
O primeiro núcleo parte de uma pesquisa em arquivos. São fotografias de imprensa do período ditatorial brasileiro, mas também o inesperado arquivo de vestígios encontrado pela artista na orla do Guaíba, em Porto Alegre, documentando os resquícios das antigas habitações ribeirinhas, quer sejam de uma margem ou outra do rio. zarro reapresenta essas imagens como quem quer reaprender a vê-las, por meio do recorte e da montagem, desestabilizando as narrativas oficiais e revelando o que ficou fora de quadro, assim dando corpo ao que o enquadramento original quis apagar.
Adentrando no segundo núcleo, encontramos telas da série Ebó de bar, onde a artista recria um espaço democrático de elaboração coletiva. Tomando o bar como lugar de reencontro popular, onde se compartilha dor e alegria, zarro nos oferece cenas que carregam uma trilha sonora própria e estão povoadas de promessas: cadeiras e camadas potenciais de pessoas em campos de cor vibrantes, à espera de alguém ou de algo – um corpo, uma conversa, um gesto de cura. O bar, aqui, é rito e abrigo. É oferenda cotidiana e lugar possível de reparação.
No terceiro e último núcleo, a série Multidões apresenta os trabalhos mais recentes da artista, onde imagens quase abstratas dão corpo a grupos de pessoas reunidas em cenas de festas, celebrações e manifestações. Pintar a multidão é uma afirmação da potência do estar junto: da vibração dos corpos e da força do coletivo. As obras capturam não só a forma, mas a energia do calor dos encontros – aquilo que escapa à imagem e, ainda assim, permanece nela.
Entre reapropriações, rituais e comunhões, a exposição constroi um caminho que é também um retorno – não ao passado em busca de nostalgia, mas a ele como matéria viva que pode, pela arte, se potencializar e, assim, ganhar outras formas, outros nomes, outros futuros.
Fotografias/Photographs: Mariana Korman
CAMPUS ANTROPOCENO BRASIL
Casa de Cultura Mario Quintana
Goethe-Institut Porto Alegre
Cinemateca Capitólio
Novembro 2022
O Campus Antropoceno Brasil oferece uma semana de debates e vivências concentrada nos desafios do nosso tempo. O evento promove um espaço para a imaginação coletiva e interdisciplinar sobre o mundo que queremos habitar e a vida que queremos viver no futuro imediato e no futuro distante.
Realizado em novembro de 2022 em Porto Alegre. Com uma programação elaboradora coletivamente por uma dezena de pesquisadores de diferentes áreas, o encontro foi produzido a partir do projeto de pesquisa A Terra e nós pela APPH em parceria com a PUC-Rio, no contexto do projeto internacional Anthropocene Curriculum.
MESA Antropoceno: ecologias contestadas
Convidados: Alexandre Costa e Lorena Fleury
Mediação: Alyne Costa
Os contornos do Antropoceno se ampliam à medida que a união entre as ciências da natureza e as ciências humanas se aliam para dar conta do problema da crise climática. Ainda que tal aliança se constitua em vias da sobrevivência planetária, as pesquisas sobre o Antropoceno não emergem desprovidas de conflitos de perspectivas. Como endereçar os debates que subjazem ao próprio conceito do Antropoceno, suas evidências, sua datação e também os seus impactos, sem homogeneizar e pacificar os seus conflitos?
Escalas: dinâmicas fundo-superfície
Convidados: Francisco Eliseu Aquino, Renzo Taddei e Rodrigo Nunes
Mediação: Anelise De Carli
Quais os tamanhos do Antropoceno? Das variações biológicas de microorganismos às grandes catástrofes climáticas e biogeoquímicas, as diferentes escalas que compõem as paisagens do nosso contemporâneo parecem estabelecer entre si estranhas relações de parentesco. A facilidade com que achávamos saber distinguir o micro do macro, o local do global e o particular do universal parece se desfazer na medida em que as conexões constitutivas que tecem o fundo de nossas vidas emergem para a superfície. Como jogar com as escalas do Antropoceno?
Contaminações: confusão das fronteiras
Convidados: Alexandro Cardoso, Guilherme Moura e Jean Segata
Mediação: André Araujo
Com o desenvolvimento histórico das ideias de indivíduo e autonomia, construímos um mundo com limites bem estabelecidos, ainda que toda entidade mantenha uma relação constitutiva com seu entorno. Em tempos de catástrofe climática, quando observamos a proliferação de efeitos locais em escala global, precisamos nos perguntar quais as conexões que se estabelecem entre a diversidade de seres, borrando fronteiras antes fortemente estabelecidas. Que tipos de contágios e contaminações povoam o horizonte do Antropoceno? Como produzir conexões que confundam as fronteiras? Como saber quais as contaminações desejáveis?
Retomadas: outros passados, novos futuros
Convidados: Ana Morel, Berenice Gomes de Deus e Cacica Kerexú Takuá
Mediação: Fernando Silva e Silva
Os espaços e as organizações que coabitam entre si, e abrem um campo de possibilidades para o futuro de nossa existência. Não apenas do ponto de vista da construção de espaços comuns, seja na cidade ou na floresta, mas também a partir da ativação de passados e construção de presentes, no esforço de pensar as reivindicações de reparação histórica como projetos de futuro mais justos e plurais no Antropoceno.
Fotografias/Photographs: Fabio Alt
Há sete anos, o Brasil testemunhava o maior crime ambiental da sua história. Cinquenta e seis milhões de toneladas de rejeitos de mineração de ferro e sílica romperam os muros do reservatório da Samarco Mineração S/A, criando uma avalanche de lama que devastou a cidade de Mariana, em Minas Gerais, e vários distritos adjacentes.
Os desastres ambientais dão contornos muito nítidos às relações insustentáveis que os humanos têm estabelecido ao longo dos séculos com os demais seres e ambientes. Quando imaginávamos que estava seguro o nosso lugar na ponta da mesa e que se poderia dar o nosso nome ao próprio tempo – Antropoceno -, o jantar recebe um convidado intruso: Gaia.
A Exposição Campus Antropoceno Brasil, que acompanha o encontro de mesmo nome, apresenta trabalhos de artistas de diferentes gerações que se problematizam questões de convivência entre seres humanos e não humanos, alterações nas paisagens por efeito da ação humana e especulações sobre o futuro através de múltiplas metodologias. A dimensão de transformações trazidas pela crise climática é um desafio para a nossa imaginação. Diante dele, é preciso ampliar nossas sensibilidades e linguagens, movimentos aqui provocados pelo desenvolvimento de poéticas contemporâneas e propostas de experimentos perceptivos.
O desafio do nosso tempo de catástrofes é conseguir imaginar e produzir um mundo em que caibam vários mundos. Os experimentos artísticos propostos pelas artistas desta Exposição procuram desautomatizar gestos apressados da era da informação e nos fazer novamente atentos e sensíveis aos desastres ambientais e à multiplicidade de seres e modos de existência que compõem continuamente o mundo em que vivemos.
Artistas
Ana Laura Malmaceda
Camila Proto
Carolina Marostica
Clara Trevisan
Helga Corrêa
Júlia Pontés
Lidia Brancher
Néle Azevedo
Paula Pedrosa
Pilar Santamaría
Tuane Eggers & Humberto Mohr
Performance de abertura
Camila Proto & Marcelo Conter

Mostra de cinema
Curadoria: Anelise De Carli
Nesta mostra cinematográfica especial, exibimos produções contemporâneas que nos oferecem uma visão ecológica ampliada, apontando para uma visão de mundo que contemple múltiplas formas de existência e relações humanas e não humanas. Os títulos tratam da crise climática, das cosmovisões de povos originários, do extrativismo, do consumo e do desperdício e das utopias sobre o futuro. Apresentamos uma seleção de filmes internacionais – com documentários e experimentações etnográficas – e nacionais – notadamente do cinema indígena brasileiro
Correalização
Goethe-Institut Porto Alegre
Anthropocene Curriculum
Haus der Kulturen der Welt
Max Planck Institute for the History of Science
Financiamento
CNPq
Rede Covid-19 Humanidades
PPGAS/UFRGS
IFCH/UFRGS
Instituto Serrapilheira
Departamento de Filosofia PUC-Rio
Editora Bazar do Tempo
Apoio
Casa de Cultura Mario Quintana
Cinemateca Capitólio
Fórumdoc.BH
Livraria Baleia
Livraria Taverna
PARI-c
SEL Harvard
Imprensa
→ Campus Antropoceno Brasil terá mesas, oficinas e programação cultural na Casa de Cultura Mario Quintana | Rede Covid-19 Humanidades, out 2022
→ Campus Antropoceno do Brasil em Porto Alegre | Revista Museu, out 2022
→ Mostra de filmes e exposição integram Campus Antropoceno Brasil | Matinal, nov 2022
→ Lideranças indígenas, quilombolas e cientistas climáticos se reúnem em Porto Alegre | Brasil de Fato, nov 2022
→ Cinemateca recebe mostra sobre impactos ambientais, consumo e desperdício | Prefeitura de Porto Alegre, nov 2022
→ Campus Antropoceno Brasil reúne lideranças indígenas, quilombolas e cientistas climáticos na CCMQ | Matinal, nov 2022
→ Filmes integram Mostra Campus Antropoceno Brasil | Correio do Povo, nov 2022

A TERRA E NÓS: EDUCAÇÃO, POLÍTICA E CIDADANIA NO ANTROPOCENO
Projeto de pesquisa
2022 — 2025
Financiamento / Funding
Chamada Universal CNPq
Brazilian Ministry of Science and Technology
Coordenação / Coordination
Alyne Costa
André Araujo
Anelise De Carli
Fernando Silva e Silva
→ Website
Estamos em meio a uma crise ecológica sem precedentes: aquecimento global, eventos extremos, extinções e risco de novas pandemias ameaçam modos de vida no planeta. A comunidade acadêmica responde ao desafio construindo alternativas no contexto do Antropoceno.
O projeto “A Terra e nós: educação, pesquisa e cidadania no Antropoceno”, contemplado pelo CNPq e executado pelo Departamento de Filosofia da PUC-Rio em parceria com a APPH, reúne 17 pesquisadoras/es de nove instituições brasileiras. A rede internacional e interdisciplinar forma uma comunidade de pesquisa e experimenta práticas educacionais para enfrentar as mudanças climáticas.
O projeto integra o Anthropocene Curriculum, referência internacional em educação sobre o Antropoceno, realizado em parceria com o HKW e o Instituto Max Planck de História da Ciência (MPIWG).
Resultados
Outcomes

Campus Antropoceno América Latina
Dezembro 2024

Campus Antropoceno Brasil
Novembro 2022

Antropoceno: que palavra é esta?
Junho 2022
DESERTO DE MEMÓRIAS
30 fotografias (diferentes técnicas)
1 vídeo (10min)
2022
Em colaboração com Leo Caobelli
Projeto 8 Desertos de erros
A matéria-prima do trabalho parte de um HD anônimo encontrado em Palermo, Buenos Aires, e recuperado por Caobelli, reunindo fotografias e vídeos do cotidiano. O material é colocado em diálogo com um acervo pessoal, criando narrativas que mesclam memórias privadas e coletivas.
As fotografias são apresentadas como se emergissem de uma caixa de sapatos diante da televisão da sala de estar, em situação doméstica comum. O vídeo que integra a obra também se constrói a partir de fragmentos encontrados no HD, reorganizados em uma nova experiência visual e narrativa.
































